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Infraestruturas Verdes e a retoma da Atividade Turística pós-pandemia

Posted on Jun 3, 2021 in INICIO |

Tiago Liberalesso

Engenheiro Ambiental e Sanitarista
Young Researcher Genesis Project (Instituto Superior Técnico

A crise na indústria do turismo provocada pela pandemia de COVID-19 certamente deixará marcas por um longo período. A retoma da atividade ainda é lenta e gradual, cercada de incertezas, tanto por parte dos turistas quanto pelos empresários do setor. À medida que o número de imunizados aumenta e os países flexibilizam restrições e iniciam a abertura das fronteiras, cresce a expectativa na retoma da atividade turística.

Nesse sentido, muitos empresários que durante o ano de 2020 tiveram de fechar ou adaptar as suas atividades à nova realidade, reavaliam possibilidades, mesmo que receosos com novas ondas de contágios e possibilidade de restrições na circulação de pessoas.

No setor da hospedagem, as pousadas de juventude e os alojamentos locais, sempre se diferenciaram pelos preços acessíveis e por serem um ambiente propício à socialização entre pessoas de distintas proveniências. No entanto, num contexto pós pandemia, onde as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a biossegurança, a aplicação de novos protocolos pode ajudar não somente a restaurar a confiança dos viajantes, mas também a promover práticas sustentáveis.

O uso de infraestruturas verdes para a criação de novos espaços de socialização, sobretudo em ambientes abertos e com boa ventilação, como coberturas ajardinadas acessíveis e/ou jardins verticais externos pode melhorar não somente o bem-estar dos hóspedes, mas também promover a instalação de soluções baseadas na natureza e por consequência aumentar a resiliência urbana frente às alterações climáticas.

As infraestruturas verdes, das mais diversas tipologias, desde coberturas ajardinadas extensivas até exuberantes jardins verticais, (re)criam importantes serviços ecossistémicos no ambiente urbano. Permitem a recuperação da biodiversidade, têm potencial de restauração do ciclo hidrológico, melhoram a qualidade do ar e contribuem para a redução das ilhas de calor urbano. Além do mais, melhoram o isolamento térmico e acústico dos edifícios, contribuindo também para a poupança de energia.

Embora, antes do estopim da pandemia, as infraestruturas verdes não fossem um importante fator de decisão na escolha pelo local de hospedagem, já eram sim, consideradas como um fator diferenciador capaz de atrair novos clientes[1],e, portanto, uma prática com potencial para melhorar a competitividade do local.

De facto, são muitos os benefícios de caráter económico e socioambiental das infraestruturas verdes, fazendo com que as mesmas sejam cada vez mais frequentes na paisagem urbana. Mais ainda, podem ser uma oportunidade de publicidade gratuita nas redes sociais, rendendo publicações e likes num ambiente de alcance diversificado e internacional.

Ainda é precipitado afirmar como, e de que forma, as novas exigências de hóspedes e colaboradores irão estabelecer-se, e de que forma contribuirão para melhorar a sustentabilidade ambiental do setor turístico. Também não é possível assegurar que as infraestruturas verdes sejam a chave do sucesso para alavancar a retoma das atividades. No entanto, é um facto inegável que as transformações sociais e de consciência ambiental são muito mais explícitas nas novas gerações, principal nicho de mercado dos alojamentos locais.

 

[1] Liberalesso, T.; Mutevuie Júnior, R.; Oliveira Cruz, C.; Matos Silva, C.; Manso, M. Users’ Perceptions of Green Roofs and Green Walls: An Analysis of Youth Hostels in Lisbon, Portugal. Sustainability 202012, 10136. https://doi.org/10.3390/su122310136