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Passive House: construir o futuro que queremos

Posted on Ene 12, 2021 in INICIO |

A primeira Passive House Certificada no sector do turismo em Portugal (© Gonçalo Miller)
A primeira Passive House Certificada no sector do turismo em Portugal (© Gonçalo Miller)

A Associação Passivhaus Portugal foi criada em 2012 com o objectivo promover e desenvolver o conceito Passive House e contribuir para a independência energética e sustentabilidade de Portugal. Esse objectivo continua a fazer sentido e é o mote do trabalho desenvolvido pela associação que, ao longo dos anos, tem implementado uma estratégia baseada na organização de formações e eventos, e numa comunicação direccionada a toda a sociedade (e não apenas ao sector da construção).

O conceito Passive House é um conceito construtivo que se distingue pelo elevado desempenho, quer do ponto de vista energético, quer do conforto, da saúde e da sustentabilidade, e isto a um custo acessível. É um conceito baseado na exigência e no rigor do projecto e da obra com o objectivo principal de construir um edifício eficiente, confortável, saudável e economicamente acessível.

 

A evolução dos edifícios (© A.R.T. Architects)

Mas o que é afinal uma Passive House?

Uma Passive House é um edifício de elevado desempenho onde, tal como nos atletas de alta competição, todos os detalhes contam.

As Passive Houses respondem às seguintes exigências:

1.Contribuir para a saúde e conforto

As Passive House contribuem para o bem-estar e saúde dos seus ocupantes. O ambiente interior é caracterizado pela boa qualidade do ar, conforto térmico (temperatura entre os 20ºC e os 25ºC) e a inexistência de grandes variações térmicas. Isto permite garantir um elevado nível de conforto, além de reduzir o risco de desenvolvimento de patologias no edifício que poderiam por a saúde das pessoas em causa.

A importância da qualidade do ar interior (© João Gavião)

 

2.Permitir ter um edifício saudável

Uma Passive House é um edifício saudável, pois é desenvolvida com base no respeito pelos princípios da física dos edifícios, minimizando pontes térmicas e evitando o surgimento de patologias (nomeadamente relacionadas com aparecimento de mofos e humidades).

“Eu vejo pontes térmicas” – adaptação do fotograma do filme “O Sexto Sentido”

(© Passivhaus Portugal)

 

3.Alcançar uma elevada eficiência energética

As Passive House representam o mais elevado padrão de eficiência energética a nível mundial. É uma solução testada e comprovada que corresponde inteiramente à definição do NZEB – nearly Zero Energy Building (edifício com necessidades quase nulas de energia) cuja implementação é já obrigatória para os novos edifícios públicos e será muito em breve para os restantes edifícios.

A redução de energia numa Passive House (© Homegrid)

4.Atingir a sustentabilidade

Devido à elevada eficiência energética, com a Passive House há uma redução drástica das emissões de CO2 associadas aos edifícios e, portanto, o conceito contribui para a protecção climática pela menor dependência energética e de combustíveis fósseis. Por outro lado, as baixas necessidades energéticas de uma Passive House podem ser facilmente suprimidas por energia gerada localmente a partir de fontes renováveis. A Passive House é um importante factor para a transição energética.

A Passive House como nZEB e Microgrid (© Homegrid)

 

5.Ser economicamente acessível

Uma Passive House pode ser construída pelo mesmo preço que um edifício convencional e os seus custos de operação são substancialmente mais baixos, devido às reduzidas necessidades energéticas e de manutenção.

Fotograma do vídeo “Como reconhecer uma Passive House”

(© Deco Proteste & Passivhaus Portugal)

 

Ainda tem dúvidas que a Passive House é a solução?

Com a estratégia definida e implementada Passivhaus Portugal tem havido um fortalecimento da rede Passive House em Portugal e aumentado o número de profissionais capazes de projectar e implementar Passive Houses, de norte a sul do país e até nas ilhas. Por outro lado, há hoje no mercado soluções técnicas, quer de materiais, quer de equipamentos certificados que apresentam desempenhos compatíveis com os níveis de exigência de uma Passive House.

Assim, hoje em Portugal construir uma Passive House não tem de ser mais caro ou mais difícil que fazer um edifício convencional. Desde o projecto de arquitectura, passando pelo dimensionamento, pela obra e até pela monitorização, Portugal tem tudo para construir e reabilitar sob o standard Passive House e fazer a necessária transição do parque edificado para elevados níveis de desempenho.

No futuro que queremos construir, ter uma Passive House não deve ser um luxo.

No futuro que queremos construir…queremos Passive House Para Todos.

omeço pela tomada de consciência. As alterações climáticas são uma responsabilidade de todos! E por isso, precisamos chegar a soluções globais e específicas em cada um dos diferentes setores que contribuem para este fenómeno. Sabemos que, desde a Revolução Industrial, o homem adquiriu a capacidade de consumir e produzir em massa, com base num modelo linear: “produzir, consumir e descartar”, ignorando os impactes negativos no planeta. E o Ambiente não pode suportar mais as práticas tradicionais de um modelo económico linear.

Atualmente, os recursos naturais são extraídos a taxas completamente insustentáveis. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) a extração de matérias-primas mais do que triplicou nos últimos 40 anos. Aliado a um pico no crescimento populacional (espera-se que a população global supere os 9 bilhões até 2050), a humanidade está a consumir a um ritmo alarmante!

  Uma estratégia de economia circular, poderia ser adotada no mundo da arquitetura?

 

Deveria ser, já que os números apontam para isso. Segundo um relatório de 2014 divulgado pela CE, a construção e uso de edifícios na UE representam 40% do uso final de energia, 35% das emissões de gases com efeito estufa, 50% de todo o material extraído, 30% do uso de água e 35% de todos os resíduos gerados. O facto, é que a economia circular, nunca esteve na agenda dos arquitetos, pois são fatores como o cronograma e requisitos de orçamento, que assumem importância na criação de um edifício. Agora, com o esgotamento acelerado de recursos, torna-se cada vez mais relevante pensar em todo o processo, com base numa economia circular. As decisões dos arquitetos podem criar um efeito cascata rumo à sustentabilidade em toda a indústria da construção.

 A economia circular é uma abordagem regenerativa de ciclo fechado, transformando o modelo de ciclo aberto de: “produzir, consumir e descartar”, para “produzir, consumir e valorizar”. O arquiteto deverá assumir esta premissa nos seus projetos, contribuindo para que todas as entidades da cadeia produtiva, se tornem mais prósperas. Pelo que, o arquiteto ao projetar, deve começar pelo fim, prevendo como o edifício que projeta poderá ser reutilizado (readaptando-o para outro fim) e/ou desconstruído quando chegar ao fim da sua vida útil. O edifício, estará assim preparado para iniciar um novo processo de readaptação, ou ligado à gestão de resíduos, de forma a possibilitar a valorização da maior quantidade de materiais possível.

 A União Europeia exige que 70% do material de demolição não acabe em aterro. Mas na verdade, a percentagem é bem menor. Um relatório da Comissão Europeia admite: «Enquanto alguns países enviam apenas 6% para aterros, outros enviam cerca de 54% do material de demolição.»

Quando praticada corretamente, a reciclagem e valorização de materiais num circuito fechado pode aumentar a vida útil de um produto e de um edifício, tornando-o muitas vezes, infinitamente regenerativo.

Mas, o maior obstáculo que o setor enfrenta rumo à sustentabilidade, é cultural: a falta de conhecimento dos arquitetos para reciclar na arquitetura, para além dos produtores de materiais, e dos próprios utilizadores. Quer seja por falta de informação ou simplesmente por falta de interesse, os edifícios continuam a ignorar os critérios ​​recomendados pela União Europeia. Outro fator contra, é o tempo que é necessário para garantir que os materiais sejam descartados adequadamente. As empresas tendem a economizar este tempo utilizando os métodos mais fáceis, como o descarte a granel, para atingir os seus objetivos, o que leva a um planeamento inadequado para o desvio de resíduos.

Além de que, o processo de demolição convencional, descarta todos os resíduos ao mesmo tempo. Desta forma, os materiais são frequentemente contaminados por outros resíduos, arruinando a possibilidade de os reciclar. Por exemplo, o isolamento em lã mineral é frequentemente retirado em bocados e misturado com outros materiais durante o processo, negando-lhe a possibilidade de reciclagem que lhe é intrínseca.

Adotar e implementar este modelo de economia circular na arquitetura, poderá resolver muitos dos problemas atuais emergentes, com benefícios imediatos e a longo prazo. Como pudemos ver, o setor da construção é grande o suficiente para ser considerado estratégico na conceção de políticas sustentáveis, especialmente em termos de uso de recursos limitados e gestão de RCD. Ao reduzir a dependência de recursos externos, um nível mais alto de inclusão social e justiça seria teoricamente alcançada em todos os níveis, especialmente entre diferentes gerações.

Na construção, a economia circular significa edifícios que podem ter usos evolutivos e onde os materiais podem ser reutilizados. O cenário ideal seria construir edifícios modulares, económicos e eficientes, podendo ser ampliados ou ter outros usos no futuro. Mas ainda há muito a fazer…

Embora a adoção da Economia Circular seja uma questão urgente para a arquitetura, é ainda necessário alterar muitos pressupostos. É preciso fabricar materiais que possam ser reutilizados, projetar edifícios que possam ter uma segunda vida e implementar práticas de demolição de acordo com os padrões de sustentabilidade estabelecidos pela União Europeia.